Confesso para ti
as infortúnias das outras camas que dormi
confesso meu desencanto
meu desvario
confesso para ti
esse medo quase sombrio
que tenho do escuro
de ser sozinho
de ser sem ti.
Confesso para ti
o quanto esperei,
nesses longos anos
voltar para a casa e rever
seu avental florido
seu sorriso torto
perguntando como foi o dia
como anda a vida
por que eu ando assim tão louco.
Confesso para ti
que aqui jaz um pai apaixonado
a saudade que resguardo da menina
tão pequena e de cabelo enrolado
que pegava meu chapéu
segurava meu casaco
chamava para brincar, correr no mato
ser feliz.
Confesso para ti
depois de tanta confissão
não volto mais para casa
confesso que esse meu semblante
não merece nem um suspiro errante
da minha mulher amada.
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