O moço.


Cruzou as pernas e olhou em direção a rua tentando vê-lo novamente: o moço da barba comprida e do cabelo enroladinho que acabara de deixar o aposento. Ainda tinha cheiro dele, pensava, seu suor havia impregnado em todos os cantos do quarto, principalmente nos lençóis que carregavam o cheiro de mais tantos homens. Fazia parte da profissão não se apegar a nenhum cliente, a nenhum moço-bonito-de-cabelo-enroladinho que passava por seu corpo. Mas, por que ele viera? Com aquele rosto calmo tão pisciniano que pode adivinhar e disse em um certo instante:

- Tu deve ter aparecido para fazer uma nova quadratura com meu leão.

Ele não deve ter entendido, mas sorriu. E desse sorriso que deu ela pode ver dentro de seus olhos e sorrir também. Agora, ele foi embora. O moço de barba comprida e cabelo enroladinho se foi e deixou seu rastro, seu cheiro, seu signo preso em cada canto do quarto.

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