Agora acabou de vez tudo o que por muito tempo guardei. Acabou
toda minha paciência de fazer por valer as lágrimas que caiam dos olhos e
ardiam as bochechas. Agora acabou de vez todas as doses de conhaque que
dediquei, todos os poemas feios e assimétricos, todas as vezes que usei o seu
nome para exemplificar uma frustração. Espero esquecê-lo no meio dos outros tão
catalogados na caixa da dor remoída que virou só um pedaço de nada qualquer.
Agora, de fato. Acabou de vez meus olhares pelo corredor e o
coração massacrado. Primeiro aceitei o convite de café, depois as transas sem
sentimento e um pouco de emoção. Consegui fumar em 3 minutos o cigarro do “Foi
bom pra você quanto foi pra mim?” e foi. Fiz valer todas as nossas conversas
guardadas junto com a caneca dentro da caixa, mas agora não vejo mais aqueles
olhos em outras pessoas e o jeito de andar pouco me atraí. Agora não busco mais
em outro alguém, agora meu sentimento é impessoal. Pela primeira vez da
sinceridade, não me sobrará tanta dor digna do descaso.
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