Era brilhante o jeito em que esculpia com palavras o que não
poderia
simplesmente esculpir com gestos
era brilhante o modo em que movimentava as mãos para falar
e o quanto era fechada
num princípio entre razão e fantasia
era brilhante o quanto os lábios transitavam a linha tênue
do controle
e da monogamia
enquanto dançava sobre teus pés havia todo o peso do mundo
mas sobre seu coração
apenas um buraco com um poço
cujo a profundidade era indescritível
era impressionante o quanto conseguia ser brilhante
e despertar em mim
o gosto amargo da vida adulta
e do descontrole
transgressor
de crescer e ser tão pouco impressionável
e simplesmente tão pouco brilhante.
De dentro da sua boca saem palavras em alemão e eu penso que
um dia entre uma taça de vinho ou outra
tuas palavras encontraram as minhas
e se tornaram verbetes ou poesia.
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