A mesma iluminação escura apenas contrastada pelos faróis dos carros que raramente passam nessa rua, as lâmpadas quase imperceptíveis, chego a sentir um medo do desconhecido. Solidão. Olhando para cima vejo apenas o contorno dos prédios refletidos no céu que hoje não tem lua nem estrelas, apenas um amontoado de nuvens perdidas sem direção pairando na noite vazia de algum sentimento. Esperança imóvel e inerente a qualquer brutalidade que possa ocorrer essa noite. Ando meio Beatnik. Se Ginsberg estivesse aqui provavelmente estaria lembrando de alguma Augusta perdida pela América ou de algum menino novo e bonito com o blazer sujo de lama. Uivando aos delírios.
Pessoas sem rosto como bonecos de Lego passam agora por mim, me olham com olhos assustados, talvez também sintam medo do desconhecido. Nenhuma expressão, nada que me deixe sentir o que querem, nada querem. O chão parece abrir ao meio e todas elas caem numa espécie de buraco negro da mente, minha mente. No canto da parede ela está encostada fumando um cigarro. Saudades dela. Acendo o meu e deixo assim criar a sincronia de impossível acesso.
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