Você ri, fala das suas músicas preferidas, das peças de
teatro, das bandas que você ouve te causando arrepios e dos discos de vinil.
Você discorre sobre os filmes do Tarantino e eu fico quieto só observando cada
uma das palavras saindo pela sua boa miúda com desenho bonito. Você anda rápido
parecendo que está fugindo, eu vejo você de costas desfilando pelas ruas porque
esse é o único jeito que eu tenho para te observar com a sutileza que sempre
busco. Prometi que nunca mais escreveria sobre você, esse sou eu cumprindo
minha promessa. Por que não eu?
Você fala e gesticula com as mãos coisas desconexas, só usa
all star e cada um é mais exótico que o outro. Você pinta suas camisetas, fala
sobre Van Gogh, Nietzsche, Schopenhauer e é obcecada por Kerouac. Você me leva na
loja de departamentos e diz que poderíamos morar juntos dentro de uma barraca
de camping. Você pega meu violão, afina-o com uma música que eu gosto e deita
na minha cama, nesse instante eu vejo todo o seu mundo multado no meu e o que
me resta é cada vez mais intenso. Seu cabelo bagunçado posicionado sobre minha
colcha de retalhos e pra você não significa nada, mas eu só consigo pensar no
quanto gostaria de fazer aquele momento durar para sempre. Por que não eu?
Eu te faço um presente de aniversário e você responde
dizendo que “ninguém nunca fez isso pra mim.”. Só queria te dar um abraço. Você
senta no meu sofá verde meio vintage e me conta sobre sua infância com lágrimas
nos olhos, a cada instante eu vejo o muro de Berlim que divide sua áurea
quebrar-se sobre meus pés. Você me puxa pela camiseta e me arrasta para onde você
quer que eu vá e eu vou, sem pesar, eu vou e sorrio, eu vou e tento te proteger
dos carros e adoro quando você me deixa arrumar a alça caída da sua camisa. Eu
vou e espero sempre que você me chame novamente. Por que não eu?
Você me chama para tomar um café e enquanto eu sinto aquele
gosto de avelã na boca seguro sua mão e digo: “Você é a mulher mais linda do
mundo.”. Você sorri envergonhada e solta minha mão. O muro de Berlim se reveste
novamente de concreto. Por que não eu?
Nenhum comentário:
Postar um comentário