Eu não disse nada da última vez
chorei escondido, você não viu e nem ninguém
neguei amor, talvez
[O sujeito e o predicado tem um paixão angustiante
meio Romeo e Julieta]
"Te juro que o meu amor não existe
se tu me jurar que o teu não existe também"
aliás, você finge muito bem essa negação romântica
as cortinas do teatro se abrem para sua peça
todos sorriem da sua timidez
e dos tiques nervosos da perna
mas só eu da plateia
te aplaudo no final.
No fundo dos olhos havia um segredo
oculto a qualquer ser de duas pernas
dois braços e uma dor latejante
mais do que qualquer uma dessas minhas prosas
com gritos errantes.
Sim, esse texto é sobre você
me odeie em silêncio pela exposição
esse texto vai tocar as paredes no nosso mundo
junto com Heart And Soul
pego sua mão e te chamo para dançar
você aceita envergonhada
e traçamos o salão de ponta a ponta
enquanto te digo coisas
das quais não farão sentido nenhum amanhã
mas alivio o coração enquanto te escrevo
minhas mãos escrevem sozinhas já
de tão acostumadas.
Esse texto vai para a última página do livro
ninguém vai prestar atenção
mas o tango já acabou
ninguém dança mais
dediquei tudo isso para você sem o seu consentimento
10 anos talvez seja tempo o suficiente para aprendermos
a observar as rosas de um jeito mais místico
a fumar mais devagar
a oferecer um copo de uísque para Deus
pelos dias de chuva e trovoadas
onde procuro tuas coxas nos meus outros amores
e teus seios nos meus próprios anseios
não lembro se você gosta de rosas
não lembro muito sobre você.
Esse texto fecha não só meu livro
quanto um período
que distancia sua boca da minha
minhas mãos dos seus cabelos
seu nome das minhas entrelinhas.
Esse texto é como um beijo
surrealista.
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