Não era verdadeiro, pois quando via as fotos antigas, não
restava saudade. Escrevo um bilhete na máquina de escrever com frases
desconexas de filmes do Tarantino, acendo um baseado que tem seu nome, desenho
sua face em um guardanapo naquele bar que, pela primeira vez, dividimos um
sorriso e meio refrigerante tão gelado quanto meus dedos no verdadeiro instante
que tocaran os seus. Atravesso a rua sozinha, dessa vez, não existe mais sua
presença para me puxar pela mochila e me proteger dos carros que correm feito
loucos na frente da estação. Seu ônibus acabou de passar, tenho a impressão de
te ver de longe na janela, seu rosto ocupa as formas geométricas da fumaça
daquele baseado que nomeei com o seu nome, você detestaria isso, detestava o
cheiro que ficava em minhas mãos. Te deixo uma mensagem na caixa postal, ligo a
cobrar de um orelhão. No poste existe um cartaz que diz: "Trago seu amor
em 3 dias" eu olho por alguns segundos e digo bem baixinho: "Meu amor
está tão longe, tão longe, que precisaria de mais de uma semana." Pego o
trem em direção ao futuro, Deus dará. Um dia te mando um cartão postal do sul,
molhado de neve, cheio de amor.
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