A guerra está lá fora, as ruas com a iluminação febril, bombas caem pelo chão e você pega minha mão para correr do alastre, da polícia, da miséria, da solidão. Em um bar, tomando cerveja barata, falo sobre minha insensibilidade romântica entre um cigarro ou outro. Falo do quanto o amor que algumas pessoas sentem por mim machuca cada um dos meus nervos e me faz pensar que sou um monstro de carne, osso, seios pequenos e redondos. Na terapia eu confesso o que deveria ter lhe dito há meses e me calo: Toda minha insensibilidade é equilibrada por uma paixão platônica e angustiante pelo modo que você sorri pelos olhos e pelo coração. As bombas não param, o peito palpita. Enquanto seguro sua mão parece que o mundo para na inércia do tempo que fustiga minha mente e me faz tentar, sem sucesso, imaginar o que passa na nos seus pensamentos.
Estava bêbada, eu juro, quando escrevi um pedaço daquela música ridícula que tem seu nome na parede da república. Insana, lúdica. Os dizeres eram sinceros, entretanto.


Eu te amo mais que as bombas que caem pelo céu, as balas que invadem meu peito doem menos que o que resta em cada semblante da manhã paulista que cerra seus olhos, seus cílios, seu sorriso.       

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