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Um desabafo particular, filosófico-espiritual.

Você cresce e as coisas param de fazer sentido, as plantas que você plantou na casa do seu avo morrem, as cores não são tão bonitas quanto antes e as comidas não tem mais aquele gosto especial de proibido. Porque nada mais é proibido. Você cresce e começa a sofrer de "tensão", o romantismo não te cabe mais, você cresce e sua genialidade é questionadamente inexistente. Você cresce e os machucados param de doer porque você sempre pensa que existem dores muito mais profundas, você cresce e precisa pensar em um trabalho que possa te proporcionar a simples sensação de não precisar trabalhar sem acabar com todas suas ideologias particulares. Ideologias. Você cresce e sua revolta fica outra, as estradas andam diferentes, o gosto musical alheio não tem mais importância. Você cresce e sua visão simbológica do mundo muda rapidamente a ponto de algumas coisas pararem de fazer sentido. Você cresce e fica careta, sente falta do descompromisso da escola, do reclamar de barriga cheia, do não ter responsabilidades e poder passar horas sentada na cama lendo um livro de literatura qualquer, sem se preocupar com o quanto de conhecimento você está absorvendo desse livro e qual é a porcentagem do que você vai poder usar disso no vestibular.
Mas ao mesmo tempo, você cresce e começa a achar impressionantes o quanto algumas coisas simples podem ser incríveis a la Amelie Poulain, você cresce e fica viciada em plástico bolha, em mexer a massa da pizza, em pintar coisas com guache. Você cresce e quer aprender a desenhar, quer voltar a criar e fazer as coisas que você fazia quando era criança. Você cresce e pensa no quanto sua genialidade foi um dia desperdiçada com coisas que você realmente não precisava aprender. Você cresce e repara que construiu todo um presente baseado no passado, para quando chegar o futuro, você poder se dar conta de que ainda pode pensar como criança.

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