Te escrevo um poema de fim de tarde
minha poesia não tem métrica e raramente rima
te escrevo porque calo a inércia do tempo
esse mesmo que cala os corações apaixonados
e que me faz fumar cada vez mais
andando descompassada pelas ruas
pensando em todas as vezes que perdi aquele jogo idiota
por pensar em você.

Te escrevo porque me envergonho
e penso que minha escrita anda horrível
mas meus olhos continuam sinceros
te escrevo porque gosto do sorriso capricorniano da matina
e do jeito de segurar minha mao
deixando meus nervos tensos
enquanto com aquele mesmo sorriso você faz perguntas
das quais eu nunca vou responder
te escrevo porque todas as vezes que eu disse de alguém
não era tão longe assim.

Existe um caderno, meu bem
existem milhões de segredos que eu queria te contar
coisas sobre minha infância, o primeiro cachorro
existem tantas coisas guardadas que continuaram para sempre guardadas
em lugares mais internos que os livros de poesia cheios de poeira na minha estante
tenho lido pouco e pensado muito
devorado toda a obra do Orwel em finais de semana açucarados
onde me passa pela cabeça seu corpo ocupando o outro lado do colchão
e eu tentando fingir que dormia
sorrindo por dentro
sim, acabei de perder o jogo idiota de novo
talvez um dia eu possa explicar a singularidade do pensamento.  

Te escrevo essa poesia de fim de tarde
porque tenho perdido a capacidade de me encantar
e demonstrar de maneiras cada vez mais sutis
o quanto eu posso pensar por semanas no mesmo rosto
que se repete nesses mesmos textos sem rima.

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