Te escrevo uma prosa de final de tarde pois teu verso ficou
o dia inteiro cravado no meu peito. Minha prosa é indefinida entre as moléculas
da perfeição. Meu verso, não claro como teu pranto define-se numa esfera
singular de um só sentimento: Amor. Ah. Das coisas contrastadas no sentimento
que se tornou refugio de minha solidão reflito e repito: Não é só a ti que amo,
nem só a ti que desejo, mas aguardo teu abraço quente nas noites frias de lua
cheia para espantar os demônios da madrugada. Se de mim tu possui a sinceridade
que me cabe, lhe digo sem pudor que teu nome se repete em minha fala
diariamente na hora do cappuccino das 6 da manhã.
Quando tu seguraste a flor e as pétalas caírem sobre teus
dedos espero que aflore em ti o que em mim há de mais sagrado: A poesia. Te
escrevo hoje porque esse é o modo mais
singelo que cabe em mim de dizer o que minha fala trava e o peito grita. O
cheiro de álcool na minha roupa se esvai no meio da fumaça do meu cigarro
levemente soltada sobre o ar e transpassando teu rosto como a fotografia de um
filme noir. Há um ano te espero na rodoviária e as veias pulsam forte sobre
minhas mãos. Há um ano espero ver seu sorriso sentinela e o abraço apertado. Te
espero, sorrindo, pois quando chegar a hora não haverá trânsito de emoções que
afaste meu coração do teu.
Você é minha palavra escrita e apagada centenas de vezes na mesma sentença poética.
Então ela disse sorrindo:
- Não se pode fugir do destino se ele é mais forte
que qualquer carta do tarot.
Nenhum comentário:
Postar um comentário